resolvi ler o que saiu nos jornais depois da palestra, não que isso tenha feito alguma diferença, mas... o fato é que a palestra foi fraca e isso é algo, quanto ao fronteiras do pensamento, que tem me deixado encucada. não foi só a palestra do lévy que foi uma mesmice total, mas também outras como por exemplo a de peter burke e a de roger chartier. quanto às matérias publicadas na zero hora de domingo e na folha de ontem, também, nada de extraordinário.
cheguei correndo no salão de atos da puc. sempre esqueço que não estou em pelotas e que sair com uma hora de antecedência de casa em porto alegre não é garantia de chegar no horário, mas consegui chegar com tempo de escolher um lugar na frente hehehe.
acho que essa história de ficarem me chamando de levyéte entrou fundo na minha mente. nunca fui de tietar, mas confesso que levei uma máquina fotográfica na bolsa e não consegui não deixar escapar um sorriso quando ele entrou no palco dando uma abanadinha hilária pra platéia :P ah e me segurei pra não sair batendo palma freneticamente antes de todo mundo :P

tá, aí começou. Não foi uma palestra complicada como a outra que eu assisti em 2003 no seminário da puc e também como a aula que ele deu naquela época numa sala lotada de mac’s, pra explicar um esquema da inteligência coletiva com um bonecão gigante . foi absolutamente simples. simples demais. e foi simples porque foi um relato histórico, uma aula sobre web. em certos momentos chegou a ser até muito didático, quando ele mostrava esquemas cronológicos evolutivos desde a oralidade até o ciberespaço e desde o computador até o que ele chama de “espaço semântico”, que deve começar lá pelos idos de 2015.
pura história, pura explicação de como tudo funciona, puro otimismo (característico do cara) e pura, posso arriscar a dizer, encheção de linguiça. pra quem não tem contato com Internet, web e computadores deve ter sido muito útil, mas pra quem já lida com isso foi como uma grande revisão histórica.
ótimo. como muitos de vocês devem saber, eu adoro resgates históricos. até tenho um problema com isso, pois várias vezes Alex tem que me puxar as orelhas pra eu sair da história. mas eu queria mais! eu queria saber o que ele anda pesquisando e o que vi foram pistas. nada de muito claro, como se ele quisesse esconder o jogo.
alguns tópicos pra vocês verem como não estou mentindo:
- mutação da civilização, transformação da sociedade em função da Internet e das ferramentas de comunicação e informação. (é mesmo?);
- sociedade do saber: relacionada com o aparato técnico da informação, memória e comunicação;
- informação hoje como maior fonte de valor. (acho que foi a primeira coisa que ouvi na faculdade);
- intelectuais como os responsáveis pelo crescimento desse valor do conhecimento e da informação;
- pessoas trabalhando juntas através da Internet e desenvolvendo o capital do conhecimento (ó, a tal inteligência coletiva!);
- 3 características principais: ubiquidade, interconexão e manipulação por robôs (básicas. na minha opinião tem muito mais e essa última achei bizarrísima);
- a utilização da web para práticas antigas; o que existe na web reproduz antigas práticas, formatos e signos já existentes (óbvio, mas bom pros jornalistas ouvirem e deixarem de achar que qualquer coisa que surge hoje na rede é o ápice do novo);
ele deu uma viajada na batatinha em algumas coisas, principalmente dizendo que a maioria das pessoas está ingressando em cursos superiores e assim, num futuro próximo, grande parte da humanidade terá feito curso superior e se tornará intelectual.
mas o principal, que era sobre o que eu esperava saber mais: sua nova pesquisa. Lévy está desenvolvendo uma nova linguagem, a IEML (Information Economy Meta Language), pois segundo ele, é necessário além da interconexão material já existente, uma interconexão semântica. para isso, ele diz que está desenvolvendo uma nova linguagem para os computadores, que não é uma linguagem “natural”, que os humanos entendem, mas algo para ser entendido por computadores. o resultado disso seria a interconexão das informações através dos significados.
claro que logo tive vontade de perguntar qual a diferença disso da web semântica e da folksonomia. não perguntei porque não sabia como escrever folksonomia em francês e fiquei com medo de ter que levantar no meio do salão de atos pra explicar. mas uma outra pessoa perguntou a diferença da web semântica e me dei por satisfeita. diz ele que dentro dos “colchetinhos” (foi bem esse termo que usou e até gesticulou) no código, terá a tal da linguagem que ele está criando, ao invés de palavras escritas em qualquer outro idioma conhecido nosso.
sabem o que eu acho? acho que ele não está criando nada de novo. está apenas tendo a mesma idéia da web semântica e de qualquer outro projeto que tente fazer o computador entender significados. a diferença é que ele é o Lévy e ele precisa fazer algo bizarro como “criar uma nova gramática”, senão ele perde a graça. sua intenção é ótima, mas sinceramente, assim como ele diz sobre a web 2.0, não é novidade.
por fim, os questionamentos. tem gente que parece que faz questão de ir em palestra só pra perguntar no final. o problema é o que perguntar. já vi perguntarem qual o futuro da humanidade numa outra ocasião. é, já vi muita coisa bizarra. ontem teve gente perguntando pra ele qual a possibilidade da preservação humana sem a ocorrência de um genocídio mundial. pois é, acabei não batendo foto com meu ídolo. depois dessa me levantei e voltei pra casa. :P
ps - o título do post não é invenção minha, foi o título da palestra :)
8 comments:
você ainda diz "eu queria mais! eu queria saber o que ele anda pesquisando e o que vi foram pistas. nada de muito claro, como se ele quisesse esconder o jogo".
cai na real, baby! o Lévy teve um insight bem bacana lá pelo meio dos anos 90 e desde então tem enrolado todo mundo - a preço de ouro. Além de tudo é antipático que só ele.
as palestras dele deveriam chamar-se coisas como "perspectivas sobre a sociedade do saber ... enrolar"
ahauahuahauahuahaua pois é, ele só tem enrolado mesmo, mas eu não acho ele antipático. acho até bem engraçado. ele tem uma simpatia irônica, sarcástica, tipo de às vezes se fazer de desentendido. olha eu babando ovo ahuahauahua
Pois é, ultimamente ele anda nessas...
como eu já disse, ele entrou numas de auto-ajuda e .. dele msmo.. tb concordo com o urubu ele está no embromation society
btw, ODEIO gente q nao entende nada do assunto e vai la sópra perguntar qqer bizarrice q passa na cabeça
Eu até nem me decepciono mais com ele. A Paulinha disse que no seminário que tava rolando na PUC, quando o pessoal entrava na sala ele tava meditando num cantinho. E que agora ele tá só pensando no que ele já fez, sem falar em novas pesquisas. Pô, web semântica só para computador?
leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete, leviete.
foi algum tipo de lavagem cerebral? :o
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